O menino do pijama listrado

Ano passado, em um de meus acessos de consumismo (culpa de newsletters promocionais), enquanto procurava alguns livros para comprar (abaixo de R$20) no site da Saraiva (somente se o frete for grátis) vi a capa d’O menino do pijama listrado e pensei “que bonitinho.. vou comprar!”.

Não lembro se li a sinopse ou um trecho do livro ou qualquer outra referência sobre, lembro apenas de gostar da capa e ficar curiosa em saber do que se tratava o livro. Sim, eu compro vários livros somente pela capa e/ou crítica. Não que eu ache que alguém, principalmente um não-escritor, tenha o direito de dizer o que é bom ou não para ser lido e levar em conta um livro só porque é um best-seller é simplesmente estúpido, visto que best-seller nada mais é do que “mais vendido”. E todos sabem que só porque algo faz extremo sucesso não quer dizer que seja bom ou eu vá gostar (o que dá na mesma). Vivo promentendo a mim mesma que não vou me deixar influenciar pelas capas ou pelos apelos da mídia nas minhas próximas aquisições, mas como a promessa é pra mim, tudo bem. Eu vivo me decepcionando por outros motivos, comprar livros ruins não seria o pior deles.

Voltando… Comprei o livro com mais alguns, dentre eles Eu sei que vou te amar, do Arnaldo Jabor. Só citei o livro pra dizer que essa aquisição foi um exemplo de indução por aparência/história precedente/crítica. Nao gostei. Mas livros não se jogam fora e o meu sonho é ter uma biblioteca igual a da Fera no desenho A bela e a fera, da Disney. Quem não assistiu não teve infância. Ou, é muito novo. O que é vergonhoso de qualquer maneira, já que os jovens de hoje são acéfalos.

Voltando²… O livro é simplesmente fantástico! Como se fosse uma narrativa feita pela criança, Bruno, filho de um militar nazista. A história é envolvente, comovente, inteligente e tristemente linda. Ou lindamente triste. (Adoro essas inversões de palavras que não alteram o sentido da frase)

Os exageros nas palavras e nos sentimentos expressados fazem com que o livro se torne simplesmente curto demais para nosso deleite. “Melhores amigos da minha vida toda”, “futuro previsível”, “a empregada muito bem paga”, “o caso perdido” e “proibido entrar em todos os momentos sem exceção” são só algumas da expressões repetidas inúmeras vezes no livro, demonstrando a inocência do ponto de vista de Bruno.

Semana passada assisti ao filme. Talvez eu tenha criado expectativas demais, talvez eu tenha gostado tanto do livro que lembro de quase tudo e quisesse ver o mesmo no cinema. Sei que fazer um filme de um livro não é tarefa fácil, até porque o tempo é curto e fazer cenas cheias de detalhes torne a obra maçante, mas não gostei. O filme não chega a um terço do que foi o livro.

De início pensei que eu estava sendo.. sei lá, neurótica, preconceituosa. Tentei avaliar o filme de outro ponto de vista. No caso, de alguém que não leu o livro, e mesmo assim, não vi tanta graça. A lista de Schindler é mais comovente do que O menino do pijama listrado se formos comparar filmes que falam sobre nazismo.

Quando cheguei ao final do livro me senti triste. Quando acabei de ver o filme também.

Fiquei triste porque o livro é tão gostoso de ler e tão breve. E triste porque o filme não faz jus ao maravilhoso texto de John Boyne. Falta a sutileza do texto escrito na representação.

“Sem falar no fato de que ele estava sempre com a mãe na sala de estar fazendo piadas, das quais ela ria mais do que das piadas do pai.

(…)

Além disso, sempre que o pai era chamado a Berlim para uma viagem e passava a noite fora, o tenente ficava na casa como se estivesse no comando: estava lá quando Bruno ia para a cama e estava de volta pela manhã, antes mesmo de o menino acordar.”

Pode ser que uma imagem valha mais do que mil palavras, mas nesse caso, as mil palavras valeram mais do que a imagem.

6 Responses to “O menino do pijama listrado”

  1. Talvez eu leia o livro antes de ver o filme, mas não sei não… O filme já tá aqui no micro, hehehe

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  2. a-há! então vc também sonha em ter uma bibloteca, é? sabe, não compro – e atualmente também não leio – tantos livros quanto gostaria… falta tempo, falta dinheiro… mas enfim, acabo comprando mais os livros da faculdade mesmo, e ando bem feliz de não ter mais onde guardá-los, pois já superlotei meu armário! :)
    sobre este livro… na verdade não sabia do livro, só tinha visto sobre o filme mesmo… agora que sei, não verei o filme antes de ler a história…
    e concordo plenamente sobre o status mental desses jovenzinhos de hoje em dia, praticamente acéfalos – e digo com propriedade de professora! :P

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  3. Não vi o filme, mas você descrevendo o livro bateu a maior vontade de ler. Também sempre sonhei em ter a biblioteca do clássico da Disney a bela e a fera *-*
    e esse livro certamente vai para a minha pratileirinha.

    Beijocas

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  4. OOO o livro q eu vou ler!! quiser levar segunda =D jah terminei o meu. Eu tb quero mt ter a biblioteca q vc flou! e eu to no caminho, o problema eh q eu quero ler novos, entao eu acabo vendendo alguns p o sebo p conseguir ler novos, soh q eu parei com isso, agora eu soh vendo a veja, q eh inutil mesmo (depois d lida). ushushshushushus
    ee vc jah leu “o diário de anne frank”? eh bonito tb, e verdadeiro, o melhor d td, eu tneho, se vc quiser t empresto.
    BTW, eu nao vejo filme antes d ler o livro, ou pelo menos tento ao máximo não fazer isso. Com o livro “O caçador de pipas” foi a mesma coisa, o filme não passa metade do que o livro passa. Mas acho q vc nao gostou desse neh? ahh whatever.. jah escrevi demais.

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    Marcella Reply:

    ahhhhh e atualiza aquele “sobre a autora” q vc nao eh mais vestibulanda!

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  5. [...] o livro grande coisa, né? Se bem que acho que isso não tem nada a ver, eu fiz uma resenha do Menino do Pijama Listrado quase um ano depois de [...]

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